"Dramas não me interessam mais. Dramas são tristes, dramas têm lágrimas, dramas tem rostos feios fazendo caretas para chorar. Chega de choro, chega de sentar na poltrona e esperar alguma cena fajuta para poder sentir-me pobre de sentimento e chorar. Pobreza de sentimento. Essa expressão é linda. Dramas que fazem sucesso envolvem morte. A morte é um drama, vamos vivê-la. Viver a morte. O drama está aí, nas vinte e quatro horas que compõem um dia terráqueo. Dediquemos mais duas horas para o drama cinematográfico. Por que não? Vamos viver o choro, os risos, o choro. Não vejo drama para rir, não vejo comédia para chorar, não vejo terror para gritar. Vejo produções artísticas na tela de um sala de cinema, vejo homens tentando virar atores, vejo atores tentando virar homens, vejo mulheres exibindo o corpo ilícito, mas nunca vejo dramaticidade. Vamos ver documentários, vamos ouvir as pessoas falarem de si mesmas ou dos assuntos dos outros, vamos ver, viver e assistir ao mundo cair diante de nossos grandes olhos. Cruzem os braços, olhem para frente, fixem um ponto no espaço e observem-no atenciosamente. Enfeiticem-se".
- Maria da Glória, uma pacata cidadã.
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