Má Educação

Não, o título desta postagem não se refere ao filme do Almódovar. Bem que eu queria. Na verdade trata de um problema social crônico e sem previsão de conserto: a má educação do povo fortalezense. De uma maneira bem geral, claro.
Todos os dias preciso pegar vários ônibus. Tanto para me deslocar de casa para a faculdade, como da faculdade para o trabalho. Por conta disso, observo muito o comportamento das pessoas. Quem me conhece sabe que sou bastante tranqüilo, paciente. É incrível a maneira como as pessoas são má educadas, e não estão se importando nem um pouco para isso.
Fui perguntado, dia desses, se eu acho que o transporte público da cidade é de qualidade. Eu respondi que sim. O problema são as pessoas que as usam, que não são nem um pouco de "qualidade" e acabam por deteriorar a organização que deveria existir, principalmente nos terminais rodoviários. É triste observar todos os dias o terminal da Parangaba lotado daquela forma. É triste ver pessoas que não sabem usar o transporte público. Parece até que as pessoas querem ser exclusivas, que o transporte público é só delas e de mais ninguém. Nas linhas mais movimentadas, como o Parangaba/Papicu ou o Paranjana I ou II, as filas são sempre imensas. Quando o ônibus se aproxima, os usuários começam a estudar estratégias para entrar no coletivo o mais rápido possível, atropelando quantas pessoas forem necessárias. É algo extremamente deplorável. Ninguém sabe fazer fila, ninguém respeita ninguém. E as filas exclusivas para idosos, gestantes e portadores de deficiência física? Acho aceitável criar este tipo de fila, mas não basta apenas criar, tem que administrar. De que adianta colocar uma plaquinha perto do ponto da linha e não haver ninguém responsável para administrar tal fila? Como se as pessoas fossem respeitar. E não respeitam. Pessoas novas, mulheres com crianças acima de 10 anos, homens jovens e saudáveis querem entrar na fila, para subirem com exclusividade no ônibus, escolherem uma cadeira e fazerem uma viagem maravilhosa, enquanto os honestos que ficam na fila precisam lutar contra imbecis que tentam subir pela lateral furando fila. É inaceitável. Numa cidade como Fortaleza, a 4ª maior capital do País, é inacreditável como não existe uma política de organização e de punição para esse gente mal educada que sai de suas casas, aonde quer que morem, para desorganizar o sistema público de transporte.
Não seria melhor se as pessoas respeitassem? Todos entrariam nos ônibus com paciência e todos teriam a oportunidade de fazer uma viagem tranqüila. Mas nunca é assim, e não há medidas nem idéias para amenizar esse problema crônico da sociedade. Educação é algo que se trás de casa. Quando não se tem esta tal educação, não se carrega para a vida. Então o "buraco é mais embaixo". Esta "educação urbanística e cidadã" deveria acontecer já nas escolas. Ensinar as crianças a usarem ônibus e outros transportes coletivos seria uma proposta para a possível solução. E claro, não é somente o fato de a população usar bem ou não um serviço público, mas também a qualidade do produto oferecido tem que ser levado em questão. Aí entra a prefeitura de Fortaleza, que tem que fazer ações conjuntas. Se se constrói algo que vai ser usado pela população, eduquem-nas primeiro para depois tornar tal empreendimento aberto ao povo. Ainda sonho com uma sociedade educada, que possa usufruir de seus bens essenciais com competência.

Comentários