Persona, Quando Duas Mulheres Pecam (Persona, 1966)


Persona pode ser considerado uma das obras primas do século XX. Ingmar Bergman escreveu este filme em nove semanas, enquanto se recuperava de uma grave pneumonia. No começo, ele queria que o nome do filme fosse “Um Pouco de Cinema”. Mas seus colegas cinéfilos o aconselharam a colocar um nome mais acessível. Sendo assim, e pela história do filme, ele colocou o nome de Persona.

Persona conta a história de Irmã Alma e Sra. Elisabet Vogler. Esta última, enquanto atuava em Elektra, uma peça clássica, perde totalmente a sua voz. Desde então ela vai para uma clínica se tratar. Quem começa a cuidar dela é a Sister Alma, uma jovem mulher que logo se torna íntima da Sra. Vogler. Por sugestão da diretora do hospital, as duas vão para uma casa de verão no interior da Suécia para que a recuperação da Sra. Vogler seja mais agradável e rápida. A vida das duas mulheres encontram um aspecto em comum: Alma abortou um filho e vive sofrendo por causa disto, enquanto Elisabet tentou e não conseguiu abortar o filho. Portanto, sente culpa por sua falta de afeto por ele. Alma é noiva de um homem que a critica muito e Elisabet é casada com um homem extremamente dedicado e louco por ela. O nome da personagem é Alma exatamente por causa do seu significado em espanhol e português. E "Vogler" para Birdly, por ser uma ave típica do inverno intenso na Suécia. Isso simboliza o filme: a jovem e ingênua Alma encontra a amarga e fria Elisabet provocando uma gravíssima crise existencial.


O filme é todo em preto e branco, gerando um contraste bem visível. As atrizes vestem apenas roupas escuras e poucas vezes usam roupas claras. A iluminação é quase toda favorecida por causa da luz do sol da praia onde estavam. Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive, 2001) é fortemente influenciada por Persona, por causa de uma atriz que tem questões semelhantes relativas à identidade. Algumas cenas foram "copiadas", como a sobreposição de rostos das personagens principais para sugerir que são a mesma pessoa ou parte uma identidade.


O filme propõe uma reflexão sobre a necessidade de adequar-se aos diferentes papéis que uma pessoa exerce na vida. Enquanto que Sra. Vogler simplesmente desiste disso, Irmã Alma descobre caminhos semelhantes, frustrando suas falsas expectativas de fazer uma casamento feliz. Então, as duas manifestam muitas facetas de uma só personagem, fazendo com que Ingmar Bergman usasse a técnica de fundir o rostos das duas atrizes para simbolizar esta ideia.

Bergman (1996) escreveu em seu livro “Imagens”:

"Quando lemos o texto de Persona, talvez dê a impressão de ser uma improvisação. Mas não. Esse texto foi rigorosamente concebido. Apesar disso, nunca repeti tantas cenas em minha vida como nesse filme. E quando digo que repeti cenas, não quero dizer filmagens de uma e mesma cena, no mesmo dia, mas sim de novas filmagens por não ter ficado satisfeito com as sequências reveladas de cada dia." (pag. 64)

Certamente, Persona dividirá opiniões de muitas pessoas. É necessário assisti-lo com bastante paciência e entender que, devido a crise existencial e a uma doença que lhe afligia, Bergman escreveu o filme como uma forma de desabafo, questionando sua então atividade como diretor do Teatro Nacional de Estocolmo.

Comentários

  1. Adoro esse filme! E eu sei que é teu preferido, né? Mas, infelizmente, pouca gente gosta por que um número menor ainda de pessoas o entendem.

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