Da série: escrito para não ter sentido.

Caminhava, caminhava e caminhava, até não poder mais. Seus olhos  marejavam, a pele estava molhada, o corpo sujo e cansado. Os movimentos denotavam com clareza. Já não aguentava mais os gritos de Josefa. Era sempre a mesma coisa, sempre dita de forma diferente. Talvez Josefa fazia isso de forma proposital para não cansar a ela própria. O calor entrava-lhe e penetrava o corpo molhado e já não aguentava mais. Ao levantar-se, uma tontura seca subiu-lhe. Ficou paralisado. Estático. Pedra. Nenhum movimento. A janela estava ao seu lado. O brilho do sol era forte, quente, queimava o rosto. Mas imaginou aqueles raios vindos lá do espaço, lá do não-sei-da-onde. Lá de onde o infinito faz a curva para chegar aqui. E chegavam no rosto, no braço, nos pneus. E daí então o infinito foi interrompido. Josefa pendurara roupas na janela - o lugar onde mais batia sol durante a tarde.

*Nota do autor: personagens reais dentro do universo da ficção. 

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